Sou apaixonada por diários; aqueles de papel, em que as meninas costumavam escrever antes da era dos blogues, mas nos quais algumas pessoas, ainda hoje, registram seus pensamentos. Mais do que os livrinhos decorados ou não, o que me encanta fica dentro deles: pensamentos, segredos, escritas de angústia e libertação.
Já fiz várias tentativas de escrever um diário com regularidade, mas nunca consegui; é claro que eu acho muito mais charmoso escrever à mão, mas meu senso prático não me abandona. Acontece que eu não gosto de acumular coisas; meu espaço precisa sempre ser renovado; em vez de acumular, faço meus objetos circularem. A ideia de colecionar livros com memórias não me atrai.
Embora eu ache meio tarde começar um diário aos 25 anos, sem registro da vida até aqui, tenho tido alguns impulsos irresistíveis. Assim, como se não tivesse mais nada para me preocupar, como dois blogues nos quais raramente dei as caras durante este mês, decidi iniciar um diário; eletrônico, é claro! Na prática, agora, serão três blogues; mas o último, ao qual me refiro agora, é privado; vai conter coisas que só dizem respeito a mim e agora a ele. Será meu ponto de fuga, minha terapia, meu confessionário, minha beira do precipício.
E por que você, leitor, deveria se interessar por isso? Porque hoje, se eu tivesse de lhe dar um conselho, que aliás você não pediu, eu diria: faça um diário e coloque nele aquela parte escondida da sua alma, aquela parte tímida, impublicável, cheia de vida, certezas e perguntas. Minha pouca experiência me diz que isso quebra correntes. Além disso, quando você quiser se lembrar das vezes em que foi ridículo ou genial, terá ajuda certa, sem a confusão da memória.