Todo ano é a mesma coisa. Eu juro que vou à FFlip, que, para quem não sabe, é a Festa Literária Internacional de Parati; um grande encontro entre escritores e leitores, dias em que se respira literatura.

Eu juro, prometo a mim mesma, mas nem tudo é perfeito: dinheiro que não basta, trabalho que aprisiona e talvez o mais importante: uma boa companhia, porque ir a um evento tão bacana sem ter com quem compartilhar e fofocar não tem graça.

Mas bendita internet, para os frustrados de plantão. Para nos consolar, há o canal da Flip no Youtube, onde é possível assistir às mesas da edição mais recente e das anteriores. Além disso, dá para acompanhar a Flip no Twitter, meio eficiente para ver fotos, saber das últimas notícias da festa e ler matérias relacionadas. Tudo isso sem falar da cobertura que, ao menos nesta época, a grande mídia dá à literatura; você certamente ouvirá falar da Flip no rádio e na tevê e lerá algo sobre o tema nos grandes jornais. Se isso não diminui a frustração, ao menos nos aproxima um pouco de um mundo maravilhoso onde falam a nossa língua, a língua dos amantes dos livros.

Tecnologias à parte, eu continuo jurando, prometendo e fazendo planos: ano que vem, eu estarei na Flip! E se você já foi a alguma edição ou está em Parati cheio de histórias para contar, compartilhe aqui nos comentários.

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Uma tarde fria e tranquila de sábado é o convite perfeito para um filme. Foi com esse espírito preguiçoso que, ontem, assisti ao delicioso e levemente açucarado “O Clube de Leitura de Jane Austen”.

O filme gira em torno de um grupo de seis pessoas que se reúnem mensalmente para comentar os livros de Jane Austen, uma das autoras britânicas mais conhecidas do mundo. É formado por Sylvia, cujo marido a deixou, apaixonado por outra mulher; Jocelyn, que nunca se casou e está em depressão pela morte de um de seus cachorros; Bernadette, que já se casou seis vezes e atualmente vive sozinha; Allegra, filha de Sylvia que decide voltar para casa e dar suporte à mãe; Pruddie, uma professora de francês que se casou recentemente, mas não é feliz; Grigg, o único homem do grupo, amante de ficção científica que resolve ler Austen para impressionar Jocelyn.

A cada reunião, eles discutem, expõem opiniões e interagem. O fato de os livros de Austen terem sido escritos no século XIX não é impedimento para que os membros do clube os relacionem às situações de seu cotidiano, o que os ajuda, de certa forma, a resolver suas questões pessoais.

O filme não é didático, não insiste em contar o enredo dos livros ou em situar o espectador que não os leu. Talvez por isso algumas discussões do clube sejam melhor entendidas por quem já conhece a obra da autora inglesa.

Não vou negar que a história seja um tanto previsível; porém, um filme que trate de livros já merece certo crédito; este, em particular, não é uma perda de tempo, se você não o assistir com olhos críticos demais.

Minha opinião? Bem, O Clube de Leitura de Jane Austen vai ao encontro de algo que eu penso: se os livros não são capazes de “salvar” as pessoas, eles são capazes de uni-las; a união faz o resto.

Discretamente, a literatura parece estar conquistando seu espaço na mídia brasileira, que, salvo exceções, engatinha na tentativa de divulgá-la de uma forma inteligente e contemporânea.

A série Tudo o que é Sólido Pode Derreter, exibida todas as sextas-feiras, às 19h30, pela TV Cultura, é uma dessas exceções. Voltada para o público adolescente, revela o dia a dia de Teresa, uma jovem de 15 anos, e nos faz acompanhar suas descobertas sobre si mesma e sobre os outros. Tudo permeado por clássicos da literatura brasileira e portuguesa, os quais ela acaba relacionando, com naturalidade, aos fatos e às crises do seu cotidiano. Teresa já se deparou com diversas obras, como Dom Casmurro, de Machado de Assis, Senhora, de José de Alencar, o poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, entre outras.

No site do programa, há o blog da protagonista, aberto para comentários. Os comentários são muitos, o público interage bastante com a personagem. E mais: notei que os espectadores gostam de ler os clássicos. Uma prova de que, com originalidade, inteligência e criatividade, é possível fazer com que os adolescentes se interessem por literatura.

Todo mundo tem pelo menos um livro de cabeceira. Aquele livro sem o qual você não se imagina; aquele livro cujas palavras abriram sua mente para alguma questão importante; aquele livro cuja história você gostaria de ter vivido ou de viver um dia. Enfim, os motivos para se ter um livro de cabeceira são inúmeros. Se não for um livro inteiro, é um conto, uma crônica, um capítulo. Pesquisando vídeos sobre autores que admiro, encontrei uma preciosidade: uma leitura de um trecho de De Amor e Trevas, do israelense Amos Oz, feita pela escritora Cíntia Moscovich, na Flip do ano passado. Aconteceu na tradicional última mesa da Festa, na qual as personalidades que participaram das mesas anteriores leem trechos de seus livros de cabeceira para o público. Se eu tivesse de compartilhar uma leitura, escolheria um trecho de um conto da própria Cíntia, o delicado (embora triste) A queda do arco-íris, presente no livro Arquitetura do arco-íris, pelo qual tenho muito carinho. E você, se tivesse a oportunidade de compartilhar uma leitura, o que escolheria?

O jornalista Paulo Nogueira, em um de seus posts, disse que “… o tempo é pouco e os livros são muitos” e por isso temos de escolher cuidadosamente o que lemos. Para quem se entusiasma com uma boa leitura, porém, escolher bem não é suficiente; a alegria só fica completa quando o prazer é compartilhado, dialogado. Este blogue nasceu da vontade de dividir e comentar as descobertas, as decepções e impressões de uma leitora apaixonada. Aqui, falaremos de livros e de parte daquilo que os envolve.

Para quem tem prazer em ler, que este espaço seja um deleite; para quem ainda não tem, que seja um incentivo.