Passei quase três anos publicando aqui. Confesso que tenho uma afeição por este blogue, como tenho por todos os que já criei. Mas confesso também que, de uns tempos para cá, tenho visto isto aqui como uma verdadeira colcha de retalhos.

Por isso resolvi mudar, para fazer algo mais homogêneo, mais como eu acho que deve ser para mim agora. Portanto, para continuar me acompanhando, é só clicar aqui. Te encontro lá!

Quanto mais só eu me sinto,

mais parte do mundo eu sou.

Todo ano é a mesma coisa. Eu juro que vou à FFlip, que, para quem não sabe, é a Festa Literária Internacional de Parati; um grande encontro entre escritores e leitores, dias em que se respira literatura.

Eu juro, prometo a mim mesma, mas nem tudo é perfeito: dinheiro que não basta, trabalho que aprisiona e talvez o mais importante: uma boa companhia, porque ir a um evento tão bacana sem ter com quem compartilhar e fofocar não tem graça.

Mas bendita internet, para os frustrados de plantão. Para nos consolar, há o canal da Flip no Youtube, onde é possível assistir às mesas da edição mais recente e das anteriores. Além disso, dá para acompanhar a Flip no Twitter, meio eficiente para ver fotos, saber das últimas notícias da festa e ler matérias relacionadas. Tudo isso sem falar da cobertura que, ao menos nesta época, a grande mídia dá à literatura; você certamente ouvirá falar da Flip no rádio e na tevê e lerá algo sobre o tema nos grandes jornais. Se isso não diminui a frustração, ao menos nos aproxima um pouco de um mundo maravilhoso onde falam a nossa língua, a língua dos amantes dos livros.

Tecnologias à parte, eu continuo jurando, prometendo e fazendo planos: ano que vem, eu estarei na Flip! E se você já foi a alguma edição ou está em Parati cheio de histórias para contar, compartilhe aqui nos comentários.

Sou apaixonada por diários; aqueles de papel, em que as meninas costumavam escrever antes da era dos blogues, mas nos quais algumas pessoas, ainda hoje, registram seus pensamentos. Mais do que os livrinhos decorados ou não, o que me encanta fica dentro deles: pensamentos, segredos, escritas de angústia e libertação.

Já fiz várias tentativas de escrever um diário com regularidade, mas nunca consegui; é claro que eu acho muito mais charmoso escrever à mão, mas meu senso prático não me abandona. Acontece que eu não gosto de acumular coisas; meu espaço precisa sempre ser renovado; em vez de acumular, faço meus objetos circularem. A ideia de colecionar livros com memórias não me atrai.

Embora eu ache meio tarde começar um diário aos 25 anos, sem registro da vida até aqui, tenho tido alguns impulsos irresistíveis. Assim, como se não tivesse mais nada para me preocupar, como dois blogues nos quais raramente dei as caras durante este mês, decidi iniciar um diário; eletrônico, é claro! Na prática, agora, serão três blogues; mas o último, ao qual me refiro agora, é privado; vai conter coisas que só dizem respeito a mim e agora a ele. Será meu ponto de fuga, minha terapia, meu confessionário, minha beira do precipício.

E por que você, leitor, deveria se interessar por isso? Porque hoje, se eu tivesse de lhe dar um conselho, que aliás você não pediu, eu diria: faça um diário e coloque nele aquela parte escondida da sua alma, aquela parte tímida, impublicável, cheia de vida, certezas e perguntas. Minha pouca experiência me diz que isso quebra correntes. Além disso, quando você quiser se lembrar das vezes em que foi ridículo ou genial, terá ajuda certa, sem a confusão da memória.

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Uma tarde fria e tranquila de sábado é o convite perfeito para um filme. Foi com esse espírito preguiçoso que, ontem, assisti ao delicioso e levemente açucarado “O Clube de Leitura de Jane Austen”.

O filme gira em torno de um grupo de seis pessoas que se reúnem mensalmente para comentar os livros de Jane Austen, uma das autoras britânicas mais conhecidas do mundo. É formado por Sylvia, cujo marido a deixou, apaixonado por outra mulher; Jocelyn, que nunca se casou e está em depressão pela morte de um de seus cachorros; Bernadette, que já se casou seis vezes e atualmente vive sozinha; Allegra, filha de Sylvia que decide voltar para casa e dar suporte à mãe; Pruddie, uma professora de francês que se casou recentemente, mas não é feliz; Grigg, o único homem do grupo, amante de ficção científica que resolve ler Austen para impressionar Jocelyn.

A cada reunião, eles discutem, expõem opiniões e interagem. O fato de os livros de Austen terem sido escritos no século XIX não é impedimento para que os membros do clube os relacionem às situações de seu cotidiano, o que os ajuda, de certa forma, a resolver suas questões pessoais.

O filme não é didático, não insiste em contar o enredo dos livros ou em situar o espectador que não os leu. Talvez por isso algumas discussões do clube sejam melhor entendidas por quem já conhece a obra da autora inglesa.

Não vou negar que a história seja um tanto previsível; porém, um filme que trate de livros já merece certo crédito; este, em particular, não é uma perda de tempo, se você não o assistir com olhos críticos demais.

Minha opinião? Bem, O Clube de Leitura de Jane Austen vai ao encontro de algo que eu penso: se os livros não são capazes de “salvar” as pessoas, eles são capazes de uni-las; a união faz o resto.

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