Sou apaixonada por diários; aqueles de papel, em que as meninas costumavam escrever antes da era dos blogues, mas nos quais algumas pessoas, ainda hoje, registram seus pensamentos. Mais do que os livrinhos decorados ou não, o que me encanta fica dentro deles: pensamentos, segredos, escritas de angústia e libertação.
Já fiz várias tentativas de escrever um diário com regularidade, mas nunca consegui; é claro que eu acho muito mais charmoso escrever à mão, mas meu senso prático não me abandona. Acontece que eu não gosto de acumular coisas; meu espaço precisa sempre ser renovado; em vez de acumular, faço meus objetos circularem. A ideia de colecionar livros com memórias não me atrai.
Embora eu ache meio tarde começar um diário aos 25 anos, sem registro da vida até aqui, tenho tido alguns impulsos irresistíveis. Assim, como se não tivesse mais nada para me preocupar, como dois blogues nos quais raramente dei as caras durante este mês, decidi iniciar um diário; eletrônico, é claro! Na prática, agora, serão três blogues; mas o último, ao qual me refiro agora, é privado; vai conter coisas que só dizem respeito a mim e agora a ele. Será meu ponto de fuga, minha terapia, meu confessionário, minha beira do precipício.
E por que você, leitor, deveria se interessar por isso? Porque hoje, se eu tivesse de lhe dar um conselho, que aliás você não pediu, eu diria: faça um diário e coloque nele aquela parte escondida da sua alma, aquela parte tímida, impublicável, cheia de vida, certezas e perguntas. Minha pouca experiência me diz que isso quebra correntes. Além disso, quando você quiser se lembrar das vezes em que foi ridículo ou genial, terá ajuda certa, sem a confusão da memória.

12 comentários
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27/06/2009 às 22:15
Juliana
Eu tenho diários também.
Mas nunca consegui escrever todo dia, depois do primeiro mês.
haha.
Mas tem certas coisas que eu guardo, que eu fico passada comigo mesma.
hahha
Beijos flor =*
28/06/2009 às 03:54
cadeorevisor
Já tentei algumas vezes. Foi bastante interessante. Mas sou metódico demais para suportar alguns dias sem escrever. Fui obrigado a parar.
Beijinho,
Pablo
http://cadeorevisor.wordpress.com
28/06/2009 às 03:55
Anonymous
Eu espero conseguir escrever um livro,mas ainda só comecei.
28/06/2009 às 06:06
laís D'Andréa
Eu também não consigo escrever todo dia, Juliana. Nem tenho mais essa ilusão, inclusive porque escrever por obrigação é chato. Escrever é bom quando o coração pede.
Eu já tive épocas mais metódicas, Pablo, embora precise confessar que ficar sem escrever por uns dias desanima mesmo. Mas eu sempre acabo voltando, mesmo que seja para capturar momentos que ficarão perdidos daqui a uns anos.
Anônimo, também gostaria de escrever um livro um dia. Nem começar eu comecei, mas a ideia está aqui, amadurecendo. Escrever é um processo muito difícil; não tenha pressa, dizem que ter pressa de publicar acaba com a carreira de um escritor. Será?
28/06/2009 às 18:06
Valéria Martins
Eu tenho um diário! De papel. É um livro grande, capa dura, muito bonito. Lá dentro eu escrevo “quando dá na telha”. Não existe regularidade definida. Já passei meses sem escrever, mas tem épocas em que escrevo dias seguidos. É muito bom, porque certas coisas, se não houvesse registrado ali, eu esqueceria. Coisas que depois, relendo, considero importantes. Principalmente sonhos.
Obrigada pelas visitas e pela leitura, Laís. Beijos
30/06/2009 às 00:16
Anonymous
Estarei sempre voltando.
30/06/2009 às 12:45
( aperte o alt )
Escrever é um exercício, e há que fazê-lo sempre!
Conselho perfeito o dado aqui… que pode levar, por que não, à uma experiência catártica…
Beijos.
30/06/2009 às 21:25
laís D'Andréa
Diários de papel são charmosíssimos, Valéria! O seu deve ser bem bonito, eu aposto, pelo que já li você comentar aqui e lá no seu blogue. E que muitos diários se sigam!
Anônimo, obrigada pela visita. Volte e pense na possibilidade de se identificar!
Renato, pode levar a uma experiência catártica mesmo; e eu acho que vem daí o valor que eu dou aos diários. Escrever é um exercício, sim, e como qualquer exercício, às vezes é doloroso e difícil. Mas a recompensa é maravilhosa. Obrigada pela visita.
Beijo a todos!
10/07/2009 às 14:52
Clarice
Laís, eu adoro diários, ainda guardo os meus, adoro relê-los e me encontrar com a menina de 12 anos que já fui. Escrever para mim sempre foi uma necessidade … não interessa onde preciso deixar que as palavras saiam de mim. Super te apóio, vai fundo no seu terceiro blog.
beijos da janela
12/07/2009 às 15:04
laís D'Andréa
Clarice, eu acho que também adoraria a menina que um dia fui se tivesse cultivado minhas memórias. Continue dando muito valor aos seus diários e escrevendo muito! Obrigada pela força e grande beijo.
13/07/2009 às 12:23
entremares
“Acontece que eu não gosto de acumular coisas; meu espaço precisa sempre ser renovado; em vez de acumular, faço meus objetos circularem.”
Olha que coisa interessante. Não é normal a gente ler isto assim, alguém a reconhecer GOSTO DA MUDANÇA.
E é bem verdade. Hoje já não somos o que fomos ontem, o amanhã talvez nem chegue…
E as memórias? Ridiculas? Geniais? Capsulas do tempo?
Uma coisa é certa. Vale sempre a pena “captar” aquilo que somos agora… para mais tarde a gente poder comparar… e tirar conclusões, não é?
( Perdoa o comentário, que está enorme… mas não resisti, acho que gostei muito do que li por aqui )
06/08/2009 às 16:19
Valéria Martins
Querida Isis, eu pensei que morasse no Rio… Aonde vc mora?
Precisa atualizar esse site com mais frequência, hein? Beijos